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França Paris
Nunca é demais falar da capital francesa. Quando uma
cidade foi tão filmada, fotografada, festejada, pintada, cantada,
entoada, mencionada nos livros e nas conversas, sonhada, documentada,
desejada? Seus museus e monumentos são citados mundo afora, seu estilo
de vida – algo como almoços longos, vinho tinto, terraços de cafés,
fumaça de cigarro, ligações perigosas – é emblemático. Paris? Ela
sempre esteve por perto.
Mesmo assim, essa familiaridade suscita um desafio:
enxergar os eternos clichês como são de fato – coisas legais, é
verdade, mas menos do que dizem. Você deveria olhar Paris como quem lê
um romance de mistério – desconfiado das dicas óbvias demais. Em
outras palavras, olhe com outros olhos, com atenção. Mesmo à primeira
visita, você já constrói uma forte imagem mental do lugar; tente
apagá-la. Tente parar de pensar em Paris como um destino turístico. Se
não conseguir ver a Sacré Coeur de perto nessa viagem, não se
preocupe. Ela ainda estará lá da próxima vez.
Em vez disso, fique quietinho e olhe à sua volta.
Deixe o mapa dentro da mochila e siga sua intuição. Fuja dos
monumentos do centro e aventure-se nos bairros fora da cidade – isto
é, as partes remotas do 13º arrondissement ou no agitado Beleville, na
junção do 10º, 11º, 19º e 20º. Outro conselho: se tiver a
oportunidade, mesmo remota e com um francês sofrível, fale com os
parisienses. Na maioria das vezes, principalmente nas áreas de
convivência dos bares e cafés, os moradores de Paris são muito mais
simpáticos do que sugere sua reputação. Siga essa cartilha e levará
para casa lembranças e conhecimentos únicos. A maioria dos escritores
deste guia moraram em Paris durante anos, e todos vão dizer que todas
as semanas, senão todos os dias, descobre-se algo diferente na cidade.
‘J’ai deux amours’, canta Josephine Baker, nascida em Missouri e
moradora de Paris durante a maior parte da sua vida: ‘mon pays et
Paris’. Dois amores – meu país e Paris. Não é preciso passar
muito tempo nesta cidade para entender o que ela quer dizer.
Ao que tudo indica, os primeiros povos chegaram a
Paris há cerca de 120 mil anos. Um deles perdeu uma lança de pedra em
cima do morro que hoje chamamos de Montmatre. Essa arma perigosa está
exposta na coleção da Idade da Pedra do Musée des Antiquités
Nationales. Na Idade da Pedra, havia uma fábrica de armas onde hoje
fica o Châtelet, e a reorganização de Bercy nos anos 1990 trouxe
literalmente à tona dez canoas neolíticas, cinco delas guardadas no
Musée Carnavalet. A oscilação do nível do rio provavelmente forçava
as pessoas a se refugiar em uma das muitas colinas da região.
Por volta de 250 a.C., uma tribo celta conhecida como
Parisii colocou esse lugar no mapa e deu o nome à moderna cidade. Os
parisii eram navegadores comerciantes, ricos o suficiente para fabricar
moedas de ouro. O Musée de la Monnaie tem uma grande coleção dessas
pequenas regalias. Sua oppidum mais importante, uma cidade primitiva
fortificada, ficava em uma ilha do Sena, que parece ter sido a atual
Île de la Cité.
Paris é a cidade perfeita para os turistas. Não só
porque tem muito o que ver – história, monumentos, museus e a comida
– mas também porque o balaio onde está tudo isso tem uma dimensão
absolutamente administrável. É possível ter uma boa noção de Paris
em apenas um dia – o que não se pode dizer sobre muitas outras
capitais do mundo. Mas como a sua famosa beleza não vale para todo e
qualquer canto da cidade, há algumas ruas que não merecem a visita.
Caminhar: esse é o segredo. O metrô de Paris é o
campeão mundial de rede de transporte público e merece ser usado; os
ônibus locais são limpos, freqüentes e baratos; e há diversas
visitas guiadas que levam você pela cidade. Se quiser, e se tiver
tempo, experimente todas elas. Mas a verdade é que você tem mais
chance de sentir o coração da cidade bater se sair por aí caminhando,
se bater perna entre as pessoas que moram e trabalham nela; só assim
vai conseguir ver os clichês da ‘cidade-museu’ como eles realmente
são. Paris está viva, próspera: é a prova de que uma cidade pode
amar as novidades do mundo contemporâneo sem esquecer – ou fossilizar
– seu passado.
Seus 20 bairros estão dispostos em espiral, do
centro para fora, no sentido horário, em ordem crescente, a partir do
Louvre. Esses são os arrondissements, as peças que juntas formam o
quebra-cabeça – comparado pelo romancista Julein Green aos modelos
clínicos do cérebro humano, em que cada peça tem a sua conotação. O
5º é intelectual; o 6º, chique; o 16º, influente e convencional;
18º, 19º, 20º, alegres e multiculturais.
Certo ou errado, os moradores sempre revelam onde
moram quando se encontram pela primeira vez. E muitos dirão que Paris
não é uma cidade, mas um conjunto de vilarejos distintos. Dividimos o
capítulo O que visitar em cinco partes: o Sena & Ilhas; Margem
Direita; Margem Esquerda; o Louvre; e Além do Périphérique. As partes
referentes às margens Direita e Esquerda também estão subdivididas
por áreas, que seguem a ordem dos bairros,
começando pelo centro. Se você quiser cortar caminho, siga nossa
simples receita para curtir um fim de semana diversificado em Paris.
Bastille Hoje mais criativa que revolucionária; a
região em torno da emblemática praça está bem equipada com
excêntricas lojas de CDs, lugares de eventos musicais – a começar
pelo mais visível, a Ópera – e alguns bares chouette.
Belleville Uma das áreas mais multiculturais de
Paris: lojas chinesas se esbarram em armazéns de comida halal e kosher
e há um mercado de rua movimentado nas manhãs de 3ª e 6ª-feiras.
Bercy Um dos bairros do momento – apesar de não
ter muita personalidade histórica. O entretenimento é o ponto forte,
principalmente para o cinema: a nova casa da Cinémathèque Française.
Projetada por Frank Gehry, ela é impressionante.
Grandes Boulevares Nem tanto um bairro, mas um eixo
leste-oeste cruzando vários outros. Na ponta oeste, estão as grandes
lojas e o consumismo; na ponta leste, o alvoroço, alguns lugares
mal-cuidados e lojas de comidas exóticas.
Ile de la Cité A menina dos olhos da capital, onde
tudo começou – abriga hoje a corte de justiça, a catedral de
Notre-Dame, a Sainte-Chapelle e um lindo mercado de flores.
Ile St-Louis É preciso uma montanha de dinheiro para
comprar uma propriedade nessa ilha de tranqüilidade, mas para explorar
suas ruelas charmosas e suas lojas transadas a pé, você não precisa
gastar nada.
Les Halles Outrora o mercado de alimentos da cidade,
hoje tem uma construção arquitetônica mal amada, o shopping center
Forum des Halles. As ruas ao redor estão cheias de lojas de roupas –
e de gente.
Madeleine Sofisticada, mas sem personalidade, é aqui
que a classe alta fez compras – em torno da igreja em homenagem a
Maria Madalena. Há também algumas lojas de comida incríveis.
Marais Com prédios antigos e urbanismo sem a marca
de Haussmann, é um território ótimo para os pedestres. O Marais é o
coração da Paris judia e gay, cheia de lojas lindas, galerias de arte
e bares.
Ménilmontant Entoada na famosa canção de Charles
Trenet (C'est là que j'ai laissé mon coeur’, murmura), esse é um
centro agitado da Paris alternativa, cheio de studios de artistas e
cafés da moda.
Montmartre O ponto mais alto da cidade, tem também
uma das maiores densidades de turistas. A vista vale a pena e a
Sacré-Coeur deve ser visitada – mas saia do tumulto e explore as
românticas ruelas secundárias e escadarias.
Montparnasse Ainda há um clima dos bons tempos por
aqui – principalmente à noite – que lembram os tempos áureos
artísticos das décadas de 1920 e 30. Há bares, restaurantes e cinemas
em abundância.
Pigalle Sex shops e neon: essa é a imagem que se tem
de Pigalle. Tem muito dos dois, é verdade, mas a região está ficando
mais limpa nos últimos anos e o boulevard de Clichy e o boulevard de
Rochechouart estão sendo repaginados.
St-Germain-des-Prés Com sua herança intelectual
famosa no mundo inteiro e alguns dos mais caros cafés da cidade, o
bairro hoje é mais conhecido por suas lojas fashion e de grife, embora
ainda restem editoras por aqui
Aeroporto Roissy- Charles-de-Gaulle
O Paris Airports Service tem um micro-ônibus que
opera entre os aeroportos e os hotéis. Quanto mais passageiros, menor o
custo. Para Roissy os preços variam de €24 para 1 pessoa a €12,40/cada
para 8 pessoas, 6h/20h (mínimo €34, 5h/6h, 20h/22h); para Orly, de
€22 (1 pessoa) a €9/cada para 8 pessoas; reserve pelo 01.55.98.10.80
ou www.parisairportservice. com. A Conexão entre aeroportos
(01.43.65.55.55, www.airportconnection.com; reservas 7h/19h30) tem um
sistema similar, 4h/22h30. Os preços para o Roissy são €26 por
pessoa, €39 para 2, mais €15 para as demais; para Orly, €22] por
pessoa, €30 para 2, €14 para as demais. Um táxi para o centro leva
de 30min a 60min, dependendo do trânsito e do destino. O preço varia
€30-€50, mais €1 para cada bagagem.Charles-de-Gaulle A maioria dos
vôos internacionais chega em Roissy- Charles-de-Gaulle (www.pariscdg.com),
30km a nordeste de Paris. Os dois principais terminais ficam distantes
um do outro; verifique qual é o terminal de seu vôo de volta; para
informações em inglês, ligue 01.48.62.22.80 ou acesse www.aeroportsdeparis.fr.
A Rede RER B (SNCF, 08.91.36.20.20) é o meio mais rápido e confiável
de ir ao centro de Paris (cerca de 40min para a Gare Du Nord; 45min até
a RER Chatelet-Les Halles; €7,75 só ida). Uma nova estação dá
acesso direto a partir do Terminal 2; do Terminal 1 sai um ônibus
gratuito. Os trens RER saem a cada 15min, diariamente 5h24/23h56. Os
ônibus da Air France (08.92.35.08.20, www.cars.air france.fr; €12 só
ida, €18 ida e] volta) saem a cada 15min, diariamente 5h45/23h, dos
dois] terminais, para Porte Maillot e place Charles-de-Gaulle (35-
50min). Esses ônibus também vão para os terminais de Montparnasse e
Lyon (€12 só ida, €18 ida e volta) a cada 30min (45-60 min de
viagem), diariamente 7h/21h; há um ônibus entre Roissy e Orly (€16)
a cada 30min, 2ª a 6ª, 6h/22h30, sáb. e dom., 7h/22h30. O Roissybus
RATP (08.92.68. 77.14; €8.40) passa a cada 15min, diariamente
5h45/23h, entre o aeroporto e a as ruas Scribe e Auber (mínimo 45min);
compre as passagens.
Aeroporto de Orly
Os vôos domésticos e vários vôos internacionais
usam o
aeroporto de Orly (Informações em inglês
01.49.75.15.15, 6h/0h, www.paris.orly.com), 18km ao sul da cidade. São
dois terminais: Orly-Sud (vôos internacionais) e Orly-Ouest (vôos
domésticos). Os ônibus da Air France (08.92.35.08.20,
www.cars.airfrance.fr; €8 ida, €12 ida e volta) saem de ambos os
terminais a cada 15min, 6h/23h, e vão até Invalides e Montparnasse
(30-45 min). O Orlybus da RATP (08.92.68. 77.18; €5.80) faz o percurso
entre o aeroporto e Denfert- Rochereau a cada 15min, 5h35/23h05 (30min);
compre a passagem no ônibus. O trem de alta velocidade Orlyval parte a
cada 7min (6h/23h) para a Orlyval e o RER custam juntos €9,05); para
chegar ao centro de Paris pode levar cerca de 35min. Você pode também
tomar o Orlyrail (€5,65) para o Pont de Rungis, onde poderá tomar o
trem RER C até o centro. Os trens saem a cada 15min, 6h/23h; 50min de
viagem. O táxi até o centro leva de 20-40 min e custa €16- €26,
mais €1 por bagagem. Os serviços de micro-ônibus fazem] a linha até
Orly e vice-versa.
Aeroporto de Beauvais Paris
Beauvais (08.92.68.20.66, www.aeroportbeauvais.com),
a 70km de Paris, é usado por empresas aéreas econômicas, como a
Ryanair (03.44.11.41.41, www.ryanair.com), que parte de Dublin, Shannon
e Glasgow. Os ônibus para Porte Maillot saem 20min após a chegada; de
Porte Maillot, os ônibus partem para o aeroporto 3h15min antes da
decolagem. Compre os bilhetes no saguão de desembarque ou na loja do
Beauvais, no bd Pershing 1, 17º (01.58.05.08.45).
De carro
Vá de carro da França ao Reino Unido pelo túnel Le
Shuttle (Folkstone-Calais 35min) (08.10.63.03.04, www.eurotunnel.com);
há também o Hoverspeed (Dover-Calais, Newhaven- Dieppe)
(03.21.46.14.00, www.hoverspeed.com); ou as balsas Brittany Ferries
(08.25.82.88.28, www.brittanyferries.com), P&O Stena Line
(01.55.69.82.28, www.poferries.com) e SeaFrance (08.25.04.40.45,
www.seafrance.com).
Viagens compartilhadas
Allô-Stop 1 rue Condorcet, 9º (
01.53.20.42.42/08.25.80.36.66, www.allostop.net; Mº Poissonière).
Aberto 2ª a 6ª, 10h/13h, 14h/18h30; sáb., 10h/13h, 14h/17h. Cc MC, V.
Combine com o motorista antes. Há uma taxa (€4,50 abaixo de 200km;
até €10 acima de 500km), mais €0,50/km para o motorista. Destinos
mais procurados: Cologne, Lyon, Marselle, Nantes, Rennes, Toulouse.
De ônibus fretado
Os ônibus fretados chegam à estação Routière
Internationale Paris-Galliéni, na Porte de Bagnolet, 20º. Para
reservas (em inglês) ligue para Eurolines 08.92.69.52.52 (€0,34/min),
ou, no Reino Unido, 01582 404511, www.eurolines.fr.
De trem
O trem da Eurostar entre Londres e Paris leva 2h25
direto; demora um pouco mais para os que param em Ashford e Lille.
Chegue ao menos 30min antes da partida e leve o passaporte. Os trens da
Eurostar que saem de Waterloo, em Londres (01233617575,
www.eurostar.com) chegam à estação Gare du Nord (08.92.35.35.39,
www.sncf.fr), com fácil acesso ao transporte público e à fila de
táxis (que é rápida). Bicicletas podem ser transportadas como bagagem
de mão se estiverem desmontadas e em embalagem apropriada. Você
também pode despachá-las na estação de Waterloo, no Eurodispatch
(Esprit Parcel Service, 08705 850850) ou na estação Gare du Nord, no
Sernam (01.55.31.54. 54). O check-in deverá ser feito com 24h de
antecedência com o bilhete da Eurostar e o custo é de £20/€45,39.
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